|
|
08/05/2012 16:59
|
|
Passar bem
|
Ele vivia trancado no escritório onde tudo permanecia em ordem, empilhado e limpo. A cadeira giratória permitia que se deslocasse facilmente do computador ao telefone; dava até pra se arrastar até a mesa de café sem precisar se levantar. O mundo parecia perfeito olhando daquela janela.
Quando deixava o prédio, de carro, seguia até seu condomínio, onde conseguia entrar facilmente após a abertura automática do portão. Da garagem para o apartamento, só mais um minuto de elevador e lá estava ele no conforto de seu lar.
Um dia, disseram-lhe que o mundo não era assim tão confortável e que a cidade, antiga, construída segundo as necessidades de um povo primitivo, oferecia obstáculos a grande parte de sua população. Custou-lhe acreditar.
Foi preciso deixar a ordem do escritório e o conforto da casa; foi preciso abrir mão do carro e conhecer o que via pela janela mais de perto. Para ele, parecia tudo em ordem, ainda assim. Foi preciso, então, exercitar a empatia e sentir na pele.
Quando se colocou no lugar dos portadores de deficiência, viu que faltavam rampas, sons, sinais luminosos, espaço, terreno regular e respeito. Percebeu que o direito de ir e vir era negado ainda a idosos e a mães com seus carrinhos de bebê. Notou que poderia fazer alguma coisa e fez... mudou-se, infelizmente.
Acessibilidade parece um tema de interesse exclusivo dos portadores de alguma deficiência, mas, não é. Mesmo se fosse, não seriam eles merecedores do direito garantido pela constituição? Experimente ir caminhando até o mercado levando a sobrinha em um carrinho de bebê. Depois de passar pela experiência durante breve estadia em casa de minha irmã, posso dizer que não é fácil. É preciso melhorar esse aspecto nas cidades. Gigante pela própria natureza, o Brasil precisa se tornar mais confortável pela intervenção humana. Precisa garantir a seus cidadãos a infraestrutura correspondente à posição de sexta economia do mundo.
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)
|
|
|
|
28/02/2012 10:11
|
|
No Pico das Agulhas Negras, tranquilidade e silêncio em pleno Carnaval
|
Nos dias em que se comemora a festa da carne, a expectativa de uma grande parte da população é que haja muito barulho, algazarra e música. Pelos efeitos da bebida e pela concentração de pessoas nos locais onde os festejos são realizados, montam-se esquemas para prevenir brigas, furtos, estupros e outros crimes, além dos acidentes de trânsito. Para quem parte em direção às montanhas, porém, o que se espera é a paz e o silêncio da imensidão.
Em um passeio que toma todo o dia, escala-se o ponto mais alto do estado do Rio, o Pico das Agulhas Negras, que reserva aos seus visitantes paisagens exclusivas que combinam rochas escuras, vegetação baixa com diversidade de flores, e nuvens – sim, elas podem ser vistas por baixo ou por cima, ora aparentemente paradas, ora movimentando-se rapidamente entre os cimos.
Na última terça-feira de Carnaval, um grupo de jovens e amigos da Igreja Evangélica Congregacional - Ministério Sal e Luz se aventurou neste ponto nobre do Parque Nacional do Itatiaia. Foram mais de três horas viajando de carro entre Barra Mansa e a parte alta do parque – o mau estado da BR-485, chamada de Rodovia das Flores, obriga os motoristas a reduzirem ao mínimo possível a velocidade em alguns trechos.
A pé, depois de transpor pedras grandes e pequenas, paredões de três e sete metros, aproximadamente, no topo do Pico, ainda vibrantes pela adrenalina do perigo, guardaram um momento de silêncio. De onde podiam ser avistados três estados, não havia som de nenhum. E as cidades no horizonte, de perto tão agitadas e, às vezes, turbulentas, à distância não passavam de parte da pintura.
Em oração, os jovens agradeceram por terem vencido os obstáculos encontrados até ali e pelos livramentos dados diante de tantos riscos. Em lágrimas, falaram sobre o fato de serem pequenos. No pensamento, não se consideravam pouco importantes diante da criação, mas se alegravam com o modo como receberam e recebem cuidados.
Após a descida e uma noite de sono em segurança, alguns já pensam em voltar, outros consideram os riscos grandes demais. E são mesmo grandes, já que a escalada só é permitida com acompanhamento de um guia experiente e uma placa avisa da dificuldade, e até impossibilidade, de realizar resgate em determinados locais. “A partir deste ponto, você está por sua conta e risco”, alerta a sinalização.
Apesar das diferentes opiniões quanto ao possível retorno à oitava montanha do país em altitude, há um consenso entre os amigos, percebido nos sorrisos e nas conversas que se seguiram à nova experiência: valeu a pena.
Mais informações sobre o Parque Nacional de Itatiaia podem ser obtidas no site http://www4.icmbio.gov.br/parna_itatiaia/. Interessados em acampar ou pernoitar no Abrigo Rebouças podem se informar sobre preços e tramitação de reservas no www.abrigoreboucas.com.br. A entrada no Parque custa R$ 11 para brasileiros e R$22 para estrangeiros. Idosos com mais de 60 anos e crianças com até 12 não pagam.
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)
|
|
|
|
23/12/2011 11:00
|
|
Faça o que tem que fazer
|
Eu nunca fui mimada. Se meus pais ou irmãos me ouvirem dizer isso, provavelmente, ocorrerá algum protesto, mas essa é a verdade. Nunca passaram a mão na minha cabeça ou deram tapinhas nas costas aprovando erros. Nunca me foi permitido me sentir insegura ou desconfortável. Eu sempre tive que fazer o que tinha que fazer, sem dramas ou chorumelas.
Não sinto isso só na minha casa. Na verdade, observei essa realidade principalmente no meu relacionamento com amigos. Sabe quando você está um pouco desiludido ou desinteressado e expõe sua dúvida ao outro? Então. Pra mim a resposta é frequentemente a mesma. Nas entrelinhas, eu leio: “Para de graça! Você sabe o que fazer!”.
Mas, quer saber? Isso é bom. De início a resposta é como um tapa na cara e eu tenho que assumir: “Sim, eu sei o que devo fazer”. Mas, depois de assimilado o golpe, percebo que o comportamento dessas pessoas tão próximas é perfeitamente adequado ao modo como sou.
Os que me amam não autorizam que eu fraqueje diante de nenhum obstáculo. O resultado final pode nem ser o esperado. Encontro apoio. Só não tenho o direito de não tentar.
(Às vésperas de começar um novo ano, refletindo sobre minha lista de “coisas a fazer”.)
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)
|
|
|
|
02/11/2011 15:09
|
|
Que pertença ao outro a vida do outro
|
Nem preciso estar com muita gente por perto. Basta estar sozinha, em silêncio, com alguns desconhecidos em volta pra encarar o fato de que, apesar de não terem "nada" a ver comigo, eles têm história. Assim como eu para mim mesma, eles são seu próprio ponto de partida e, nestas existências, eu não sou o centro.
Quando me dei conta disso pela primeira vez, na infância, o conhecimento me sensibilizou. Passei a compreender mais o outro, começando por aqueles que conviviam comigo sob o mesmo teto - mãe, pai, irmãos. Comecei a pensar sobre suas escolhas, sobre as decisões que tomaram até chegar ali e as que tomariam no futuro enquanto atravessassem os anos. São tantas variáveis pressionando-os contra o "sim ou não".
Pensar que o outro vê a vida de um ângulo diferente, sob um particular ponto de vista, me parece essencial para compreender o porquê de uns se arriscarem mais, de outros sonharem menos. Uma sacada pode parecer um penhasco pra quem tem medo de altura, não é mesmo?
No mais, porque questionar a preferência de cada um pelo conforto e segurança ou do outro pela instabilidade e caos?
Por pensar assim, prefiro me abster de opinar. A menos que insistam em conhecer meu ponto de vista ou eu veja um perigo iminente e certo, me calo. Interferir na história do outro pode trazer – sendo dramática e extremista – resultados tão catastróficos quanto os retornos dos viajantes do tempo ao passado, demonstrados em tantos filmes. A vida deve seguir seu curso e este, por sua vez, deve ser definido por aquele que a detém. Pra que insistir em protagonizar o roteiro alheio?
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)
|
|
|
|
10/08/2011 12:41
|
|
Definição em construção
|
Estou no plenário da Câmara de Vereadores aguardando o início da sessão. Ainda faltam dez minutos e escrever me pareceu um passatempo irresistível. Mas, escrever sobre o que?
.....
Hipocrisia. Tá aí uma palavra recorrente nos discursos sobre temas polêmicos. A favor ou contra, não importa. O outro é sempre o hipócrita. Se “o bom senso é a coisa mais bem repartida do mundo”, a hipocrisia é o filho feio que não tem pai. Mas, afinal, o que é ser hipócrita?
A meu ver, o defeito é verificado nas pessoas que cobram dos outros posturas que são incapazes de ter. Sabe aqueles discursos que não se materializam na vida do orador? Então. Pra mim, hipocrisia é isso.
Essa ideia, a princípio, pareceu conclusiva, mas, sinto que não é; que a hipocrisia é algo mais, mais abrangente.
Eu estou no plenário da Câmara preparada para ouvir discursos pró e contra o Executivo municipal baseados em interesse político, e algo me faz crer que vou ter uma aula sobre o tema.
Mais sobre Hipocrisia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipocrisia.
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)
|
|
|
|
08/08/2011 16:31
|
|
Pensamentos II
|
"Nem sempre as coisas saem como a gente espera. Acabam sendo melhores."
"A insistência no tentar esquecer é um exercício que reforça a lembrança."
"Olhar nos olhos é sinal de coragem, de não ter medo de encarar o próprio reflexo e de se conhecer melhor através do outro."
"Descobri que dois sentimentos nos impedem de conseguir olhar nos olhos do outro: vergonha ou decepção. D'us me livre da vergonha. Decepção é bem mais suportável."
"O eclipse demonstra o quanto ser raro torna algo especial. Nem todos olham para o céu à noite quando a lua protagoniza o espetáculo rotineiro."
"Há quem faça do coração tripas."
"Quem pensa em jogar a toalha nunca mereceu entrar no ringue."
"Os incomodados provocam mudanças. Os acomodados que se mudem."
"Mais difícil do que conversar é conseguir compartilhar o silêncio sem constrangimento."
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (1)
|
|
|
|
01/08/2011 00:49
|
|
Reflexão: Amor
|
O amor pode parecer estranho. Às vezes, faz rir. Outras vezes, faz chorar. Sorrir, corar.
Por amor a gente fala ou cala; aproxima ou afasta; continua ou para.
É um sentimento que se manifesta de diferentes formas: entre pais e filhos, amigos e amigos, meninas e meninos. Tanto faz.
Porém, independente do tipo, só tem valor se for verdadeiro.
Tudo o que é falso gera repulsa - falo por mim.
Então, não espere um sorriso de interesse; um abraço mascarado, um apoio dissimulado.
Quando sorrio, rio ou elogio sou sincera. Não me retraio.
Mesmo que o objeto do amor não mereça tamanha consideração,
mostrar a verdade do íntimo é ser fiel a seu próprio coração.
Inspiração:
"O cidadão do céu fala verazmente segundo o seu coração" - Salmo 15
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (2)
|
|
|
|
04/07/2011 12:55
|
|
Saudade e Medo
|
Não recrimino nenhum morador do Vale do Paraíba por não se incomodar com a ausência da Mata Atlântica. Não que não seja revoltante. Acontece que, apesar de outrora ter coberto a totalidade do estado do Rio, só pra citar um de seus berços, há muitos anos ela foi reduzida a pequenos fragmentos e é difícil para os nascidos no pós-desmatamento se identificar com esse cenário arbóreo. Eu cresci entre morros nus.
A questão é que, ainda sem tê-la conhecido, sinto saudade. Estranho, mas sinto falta da flora e da fauna diversas. E, mesmo sabendo que essa diversidade, no caso da fauna, é composta, majoritariamente, por insetos e anfíbios que não me são atraentes, preciso da certeza de que eles têm sua casa, como eu tenho a minha.
Durante a Semana do Meio Ambiente, comemorada no início de junho, procurei saber mais sobre a Mata Atlântica e, durante as pesquisas e entrevista, fui informada de que este patrimônio natural foi diminuído em 90% na minha cidade. Soube também que iniciativas no sentido de recuperar a área desmatada esbarram na falta de investimento e na resistência de alguns proprietários da Terra.
O discurso, que opõe a preservação ambiental ao desenvolvimento, para meu desgosto, venceu a primeira batalha na Câmara e eu temo que o mesmo aconteça no Senado. Se havendo legislação rigorosa, o desmatamento avança desenfreado, imagine se forem afrouxadas as regras.
Amanhã, comissões (de Meio Ambiente, de Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e de Agricultura e Reforma Agrária) discutirão o tema em audiência pública na qual serão ouvidos Elíbio Leopoldo Rech Filho, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e Helena Bonciani Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na quarta, um novo debate acontece em audiência da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), com a participação de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Fico torcendo para que os parlamentares dêem ouvidos à razão, cujos argumentos foram bem delineados pelos pesquisadores do Ipea em levantamento que expõe as conseqüências do novo Código Florestal às Áreas de Proteção Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs) divulgado no último mês. Com números e lógica, eles não permitem que se aprove o Código sob alegação de estar buscando o melhor para o país.
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (0)
|
|
|
|
11/05/2011 01:50
|
|
Realidade cruel
|
Tirei essa foto próximo à Rodoviária Novo Rio, no sábado (7). Isso me fez pensar, apesar do meu entusiasmo com todos os eventos esportivos, se não seria melhor aplicar o dinheiro em obras que melhorassem a vida dessas pessoas.
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (1)
|
|
|
|
08/04/2011 00:53
|
|
Pensamentos I
|
Na correria do dia a dia, nem sempre consigo escrever tudo o que penso, mas registro alguns flashes: dúvidas ou conclusões, que compartilho neste post.
"Não há paz na morte; só o silêncio."
"Não seja espelho refletindo o entorno. Nem sempre o entorno é bom."
"Prefiro sofrer o dano a causá-lo; prefiro conviver com a mágoa a viver com o remorso."
"Nem todo soberano é nobre. Nem todo nobre é soberano."
"Amigo não é quem aprova tudo o que eu faço, mas quem me ajuda a fazer o certo."
"Quando a dor não cauteriza, o amor cicatriza."
"Em qualquer empreendimento, dê o sangue, mas não venda sua alma."
"Realizar nossos sonhos é incrível. Ajudar outros a realizar os seus tanto quanto."
"A vida é feita de escolhas e cada sim implica, no mínimo, um não... abrir mão."
"A vida é uma constante contagem regressiva."
|
|
Rebeca Ribeiro| E tu? Que pensas? Escreve aqui. (2)
|
|
|
/BlogInicioPost?>
|
|
::. Visitantes: 54224
|
|
|